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Artigo 4 min de leitura

Carne no olho ou pterígio? Entenda a "raspagem" e quando a cirurgia é indicada

Descubra o que é a carne crescida no olho, como funciona a técnica com transplante conjuntival fixado com cola biológica e os cuidados para evitar o retorno da lesão.

Por Dra. Jennifer Humbelino CRM-MA 9041 · RQE 5408

Ilustração editorial de um desenho anatômico da córnea e conjuntiva ao lado de óculos de sol e ramos botânicos.

Aquela "pelezinha" avermelhada que cresce no canto do olho em direção à parte colorida é chamada popularmente de "carne no olho" ou "carne crescida". Na oftalmologia, o diagnóstico correto é pterígio: uma formação benigna de tecido fibrovascular que se desenvolve sobre a superfície ocular.

Muitas pessoas chegam ao consultório perguntando sobre a "raspagem no olho", imaginando que o tratamento se resume a raspar essa camada. No entanto, a cirurgia moderna de pterígio evoluiu substancialmente para garantir segurança visual e evitar que o tecido volte a crescer.

Ilustração médica do pterígio avançando da conjuntiva nasal sobre a córnea
Representação esquemática do pterígio avançando da conjuntiva em direção à córnea. Fonte: American Academy of Ophthalmology (AAO).

Por que o pterígio surge e quando é hora de operar

O pterígio é uma resposta inflamatória crônica da conjuntiva (a membrana transparente que recobre a parte branca do olho). Sua principal causa é a exposição cumulativa à radiação ultravioleta (raios solares), ao vento e ao ressecamento, sendo extremamente frequente em cidades litorâneas e ensolaradas como São Luís.

No início, o pterígio pode causar apenas vermelhidão, ardência, sensação de areia nos olhos e desconforto estético. Quando cresce em direção ao centro da córnea, pode distorcer a visão ao provocar astigmatismo irregular ou até obstruir o eixo visual.

A indicação cirúrgica ocorre quando há:

  • Crescimento progressivo do tecido ameaçando a área central da visão;
  • Crises frequentes de inflamação e vermelhidão não controladas por colírios lubrificantes;
  • Astigmatismo induzido e piora da nitidez visual;
  • Desconforto físico ou estético significativo para o paciente.
Etapas cirúrgicas da remoção de pterígio com transplante conjuntival autólogo
(a) lesão inicial do pterígio; (b) demarcação do enxerto na conjuntiva superior; (c) retirada da lâmina conjuntival saudável; (d) enxerto fixado cobrindo o leito operado. Fonte: EntoKey / Thieme Medical Publishers.

Transplante conjuntival com cola biológica vs. pontos tradicionais

Antigamente, a técnica simples de excisão (conhecida como "raspagem" ou esclera nua) apenas retirava a lesão e deixava a área cruenta exposta. Diretrizes da American Academy of Ophthalmology (AAO) demonstram que a simples raspagem apresentava taxas de recidiva superiores a 50% em poucos meses.

Hoje, o padrão-ouro internacional é a exérese de pterígio com transplante conjuntival autólogo: o tecido doente é removido delicadamente e o leito é protegido por um enxerto de conjuntiva saudável retirada do próprio olho do paciente (como ilustrado acima). O grande diferencial técnico na recuperação está no método utilizado para fixar esse enxerto.

Em locais convencionais ou de baixo custo, o enxerto costuma ser fixado com fios de sutura (pontos de náilon ou seda). Embora viável, a presença de pontos na superfície ocular traz desvantagens clínicas que o uso da cola biológica de fibrina supera com clareza:

  • Conforto pós-operatório imediato: Piscar é um reflexo involuntário que ocorre cerca de 15 a 20 vezes por minuto (mais de dez mil vezes ao dia). Fios e nós de sutura causam atrito constante contra a córnea e a face interna da pálpebra, gerando sensação intensa de areia, dor e lacrimejamento. A cola biológica de fibrina cria uma superfície lisa e contínua, proporcionando um pós-operatório incomparavelmente mais suave.
  • Menor inflamação e menor risco de recidiva: Fios cirúrgicos agem como corpos estranhos que estimulam reação inflamatória no tecido. Como a inflamação é o principal estímulo para o retorno do pterígio, a ausência de fios reduz o estímulo inflamatório, mantendo a taxa de recidiva abaixo de 5% a 10%.
  • Tempo cirúrgico reduzido pela metade: Evidências clínicas documentadas na oftalmologia comprovam que a fixação com adesivo de fibrina reduz o tempo de cirurgia em cerca de 50% em comparação à sutura manual, reduzindo a manipulação e o tempo de centro cirúrgico.
  • Sem necessidade de retirar pontos: O selante biológico é composto por proteínas naturais de coagulação e é absorvido espontaneamente pelo próprio organismo em poucos dias, dispensando o incômodo de cortar e puxar fios no olho recém-operado.

Embora seja um insumo cirúrgico de tecnologia mais refinada e custo hospitalar mais elevado, a cola biológica é um divisor de águas no conforto e na segurança cicatricial do paciente. Você também pode conferir mais detalhes sobre a recuperação na nossa página dedicada ao tratamento do pterígio.

Colírios vasoconstritores que "clareiam o olho" temporariamente não tratam a causa e podem piorar a inflamação com o efeito rebote (veja nosso artigo sobre os riscos do uso de colírios vasoconstritores). A avaliação minuciosa com lâmpada de fenda no consultório é essencial para medir a extensão da lesão e planejar o momento cirúrgico ideal.

Referências científicas e fontes: Diretrizes cirúrgicas baseadas no guia da American Academy of Ophthalmology (AAO) e revisão cirúrgica em EntoKey / Thieme Medical Publishers.

Para avaliar a saúde dos seus olhos e entender a indicação cirúrgica em São Luís, entre em contato pelo WhatsApp e agende sua consulta.

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